quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Trabalho de campo- Serra da Calçada_ MG (Cinara Santos, Débora de Miranda, Ingrid de Araújo, Pollyanna Carvalho, Rodrigo Souza.)

1 1.   Introdução

A Serra da calçada é considerada um local de grande importância ambiental, devido às paisagens, a fauna, flora e recursos hídricos, enquadrada na importância das biodiversidades de Minas Gerais.
 Localizada- se no quadrilátero ferrífero (fig1 e 2), na zona de amortecimento do Parque da Serra do Rola-Moça e fica a cerca de 20 km da região metropolitana de  Belo Horizonte, na divisa dos municípios de Nova Lima, Itabirito e  Brumadinho. A Serra integra a cadeia do espinhaço, Com uma elevada diversidade de plantas.
É considerada área insubstituível devido às paisagens e à diversidade da fauna, flora e recursos hídricos existentes em sua extensão. A área abriga espécies de aves, mamíferos e plantas ameaçadas de extinção, sendo, por isso, enquadrada na categoria de importância Especial para conservação da biodiversidade em Minas Gerais, de acordo com o Atlas de Biodiversidade do Estado, lançado pela Fundação Biodiversitas em 2005.
Sua altitude é em torno de 1.450 metros acima do nível do mar, existe uma vasta gama de vegetação rupestre, com predomínio de vegetação arbustiva , áreas de campo limpo apresentam vegetação herbácea , graminosa, matas de galeria em numero reduzido e pouco densas acompanham os córregos.
Em 1987 teve inicio a documentação fotográfica e identificação cientifica de espécies na serra, foram identificadas 60 famílias, 172 gêneros e 339 espécies, incluindo liquens, briófitas e fungos.

2.   Objetivo
Foi realizada no dia 02 de Outubro de 2010 uma visita a serra da calçada a fim de realizar caracterização do campo na Serra da calçada e sua vegetação, coletas de amostras para identificação e elaboração de um trabalho relacionado a disciplina de fanerógamas (fig3 e fig4).

3 .   Materiais e métodos

A coleta foi realizada utilizando, tesoura de poda (fig5), canivete e podão (fig6) para coletas em arvores mais altas.
As amostras coletadas visam a representação do aspecto global da planta, portanto é importante coletar flores e frutos, também foram tomadas notas das posições geográficas utilizando um GPS. O material coletado foi transportado em saco plástico durante a coleta, e posteriormente colocado em uma prensa (fig7) que utiliza madeira para prender as pilhas formadas pelos jornais contendo exemplares intercalados com papelão, uma corda de nylon foi utilizada para evitar o deslizamento do material na prensa e o mesmo foi transportado ate o laboratório.
No laboratório foi utilizado um ebulidor para reidratar algumas partes das plantas necessárias para sua identificação. Para análise das flores foi necessário realizar cortes transversais e longitudinais a fim de permitir a observação do ovário e seus lócus. Quantos as folhas foram utilizadas lupas para verificar indumentação, em alguns exemplares a lupa também foi necessária para verificação das nervuras, e réguas para verificar o tamanho das folhas, para identificação das famílias foi utilizada chave dicotômica.
Após estas analises foram montadas as exsicatas em cartolina rígida branca, o tamanho da exsicata varia de acordo com o local de armazenamento, mas o tamanho mais comum é 35 x 45 x 20 cm, as informações de coleta foram anexadas no canto inferior direito da cartolina, a planta será montada sobre a cartolina, de forma que permita a observação das duas superfícies foliares, de flores e frutos abertos e fechados em alguns casos é necessário afixar um corte dos mesmos para permitir a observação de estruturas internas, amostras com folhas simétricas muito grandes podem ter um lado da folha cortado caso haja necessidade, e espécimes com mais de 50 centímetros  podem ser dobrados em V, N ou M, para caberem na cartolina.

 4.   Resultados.


Após analise das estruturas das amostras e correlação das mesmas com a chave dicotômica os resultados obtidos foram os seguintes:

Murici
Planta arbórea com folhas simples pecioladas sem bainha, filotaxia oposta com estipulas laterais, folhas simétricas oblongas com ápice obtuso a cuneato e base decurrente, margem lisa , face abaxial pilosa e adaxial lisa.
Inflorescência composta, um cacho de dicásios formando um tirso.
Tamanho das folhas:
Menor: 2,5 x  0,6 cm
Maior: 9,0 x 4,0 cm


Flores róseas bissexuais pedunculadas com ausência de brácteas, cálice gamossépalo com cinco sépalas, e corola dialipétala com cinco pétalas, apresentam onze estames, ovário supero com dois lócus e dois carpelos e gineceu dicarpelar.

Margarida Amarela

É um arbusto, composto por folhas simples sem pecíolo, filotaxia oposta e ausência de estipulas, as folhas são simétricas, pilosas, oblongas com venação peniparaliliner- vea, possui forma da base e ápice agudos e margem lisa.                                                  
O comprimento médio das folhas é de 10 cm.
A inflorescência é racemosa, formando um capitulo radiado. As flores são amarelas, sésseis sendo as do raio unissexuais e as do disco bissexuais. Apresenta brácteas involucrais, e ausência de pedúnculo, o cálice é gamossépalo (a determinação do numero de sépalas não se aplica). A corola é gamopétala, cada flor possui uma única pétala, cinco estames, antera com deiscência longitudinal, ovário ínfero unilocular e unicarpelar, com placentação basal.

Marcela

Planta herbácea apresenta folhas simples simétricas sem pecíolo, mas com bainha. Filotaxia alternada espiralada com ausência de estipulas, venação peninérvea, forma das folhas oblongas com a base aguda a atenuada e ápice agudo, com margem lisa e indumentação pilosa. O comprimento médio das folhas é de 2 cm.
A inflorescência é racemosa do tipo capitulo, as flores são sésseis, bissexuais, com brácteas presentes o cálice está ausente ou transformado em papus, não é possível determinar o numero de sépalas. A corola é gamopétala constituída de cinco pétalas. Estão presentes cinco estames, a deiscência da antera é rimosa, (a classificação do gineceu: dialicarpelar ou gamocarpelar não se aplica) o ovário é ínfero unilocular e unicarpelar com placentação basal. 


Identificação de acordo com a chave dicotômica

Malpighiaceae (fig8. Murici)
Chave B: Flores diclamídeas ou dialipétalas
1.    Flores com 4 pétalas ou mais
54. Ovário súpero
81. Flor com um pistilo
91. Flor não tetrâmera ou, se tetrâmera com mais ou menos de seis estames.
92. Ovário bi-plurilocular ao menos na região mediana.
129. Folhas sem pontuações translucidas
133. Estames livres entre si ou apenas 1
141. Folhas simples ou compostas unifolioladas.
149. Flores Zigomorfas
150. Estames 2-8
151. Folhas opostas ou verticiladas.
152. Lóculos do ovário com um único ovulo.

ASTERACEAE (fig9. Margarida amarela)
Chave A: Flores aclamídeas ou monoclamídeas
1 . Flores monoclamídeas
12 . Flores bissexuais
59 . Ovário ínfero
60 . Ovário unilocular
61 . Flores dispostas em capítulos

ASTERACEAE (fig10. Margarida amarela)
Chave A: Flores aclamídeas ou monoclamídeas
1 . Flores monoclamídeas
12 . Flores bissexuais
59 . Ovário ínfero
60 . Ovário unilocular
61 . Flores dispostas em capítulos
  
5. Conclusão

O levantamento de materiais colhidos durante o trabalho referente a disciplina Fanerógamas contribuiu para as observações que fornecem apenas uma idéia parcial sobre o local, e uma vivencia das praticas utilizadas em campo, e dos métodos que são utilizados para identificação de espécies .

6.   Referências Bibliográficas

WIGGERS.Ivonei, STANGE. B. Carlos Eduardo. Manual de instruções para coleta, identificação e herborização de material botânico.Disponível em: < http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/733-2.pdf> acesso em: 09 nov. 2010.
DRUMOND. Glaucia; Martins. Cássio; Machado. Angelo; Sebaio. Fabiane; Antonine. Yasmine. Biodiversidade em Minas Gerais. Disponível em: < http://www.biodiversitas.org.br/atlas/conservacaoMinas.pdf> acesso em: 09 nov. 2010.
MARTENS. Leda Afonso. Flores da Serra da Calçada.Editora UFMG. Belo Horizonte, 1° edição, 2008.

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